Prevenção de Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais utilizando Ferramentas da Qualidade

 

Para se obter resultados significativos na prevenção de acidentes e no controle de perdas, organizações adotam algumas ferramentas da qualidade como instrumento auxiliar na busca da melhoria contínua em seus processos, objetivando a prevenção. O presente artigo vai abordar as principais ferramentas da qualidade aplicáveis a segurança no trabalho e a importância e objetivos de cada ferramenta para as empresas.

As empresas buscam cada vez mais melhores formas de melhorar seus processos visando a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. As ferramentas da qualidade têm se tornado importante instrumento de trabalho na busca da prevenção. Essas ferramentas, quando bem utilizadas e mantidas em funcionamento, acabam trazendo para as empresas, a redução nos índices de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

Diante da importância do assunto em questão, justificamos a escolha do tema publicado, que poderá servir como fonte de pesquisa para quem desejar conhecer e aplicar essas ferramentas nas áreas de saúde e segurança ocupacional.

 

ferramentas da qualidade

FERRAMENTAS DA QUALIDADE

 

São as técnicas usadas nos processos de Gestão da Qualidade, começaram a ser utilizadas nos meados da década de 50, com base em conceitos e práticas, aplicando a Estatística. As ferramentas da qualidade são gerenciais e possibilitam as análises de fatos e tomada de decisão com base em dados, certificando de que a decisão é a mais indicada. Disponível em: Docsity-Ferramentas da Qualidade.

Neste artigo abordaremos apenas ferramentas da qualidade aplicáveis em segurança no trabalho, na prevenção de acidentes e saúde ocupacional, como: PDCA, 5W2H, DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO, Fluxogramas e folhas de verificação.

 

2.1 PDCA (PLANEJAR-EXECUTAR-VERIFICAR-AGIR)

 

Segundo Blauth (2006, p.206), “o ciclo PDCA de Shewhart Deming perpetuou a idéia de abordagem cíclica de aprendizado visando a melhoria contínua”.

O PDCA prevê a melhoria contínua em processos, produtos e serviços, e no caso em estudo o PDCA será aplicado para melhorar os processos de saúde e segurança, visando a prevenção de acidentes.

De acordo com NBR ISO 45001:2018, o  Ciclo PDCA aborda um sistema de gestão de SSO baseada no conceito Plan-Do-Check-Act (Planejar-Fazer- Checar-Agir) (PDCA).

O conceito PDCA é um processo iterativo, utilizado pelas organizações para alcançar uma melhoria contínua. Pode ser aplicado a um sistema de gestão e a cada um de seus elementos individuais, como a seguir:

  1. a) Plan (Planejar): determinar e avaliar os riscos de SSO, as oportunidades de SSO, outros riscos e outras oportunidades, estabelecer os objetivos e os processos de SSO necessários para assegurar resultados de acordo com a política de SSO da organização;
  2. b) Do (Fazer): implementar os processos conforme planejado;
  3. c) Check (Checar): monitorar e mensurar atividades e processos em relação à política de SSO e objetivos de SSO, e relatar os resultados;
  1. d) Act (Agir): tomar medidas para melhoria contínua do desempenho de SSO, para alcançar os resultados pretendidos.

 

Todas as cláusulas da NBR ISO 45001;2018 estão estruturadas dentro de cada ciclo do PDCA e recomendo consultar a Norma para uma melhor utilização desta ferramenta da qualidade.

 

 

DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO

 

Foi desenvolvida em 1943 por Ishikawa no Japão para explicar como vários fatores poderiam ser comuns entre si e estar relacionados. Também é conhecido por diagrama de Ishikawa ou espinha-de-peixe, sendo considerado uma representação gráfica que permite a organização das informações possibilitando a identificação das possíveis causas de um determinado problema ou efeito.

Segundo Souza (2010, p.35) “Esta ferramenta permite estruturar hierarquicamente as causas de um determinado problema ou oportunidade de melhoria” […].

FIGURA 01 – modelo espinha de peixe

FONTE: Gestor Condominal

Essa ferramenta pode ser aplicada para resolver um problema com elevado número de acidentes devido a corpo estranho nos olhos em uma empresa metalúrgica, conforme detalhado abaixo:

Problema: Elevado número de acidentes com corpo estranho nos olhos

Possíveis Causas:

Máquinas: As máquinas e equipamentos estão com as proteções das partes que geram os corpos estranhos? Estão com as manutenções corretivas e preventivas em dia? Será que não existem maquinas e equipamentos com novas tecnologias mais seguras? Existem EPIs adequados para os funcionários?

Mão de obra: As pessoas estão bem treinadas para executar as operações com segurança? As pessoas estão com boa saúde para executar as atividades?

Método: A forma de realização dos trabalhos são adequadas para cada operação? Será que não existe outra forma de realizar os trabalhos?

Matéria prima: A matéria prima utilizada é adequada, não apresenta riscos? Será que não existe outra matéria prima apresente característica que não desprenda corpos estranhos?

Meio Ambiente: As características físicas do ambiente de trabalho (temperatura, ruídos, iluminação, etc.) bem como a relação das pessoas da organização (motivação, remuneração, relação entre diferentes níveis hierárquicos).

Medida: Os índices de acidentes devem ser medidos, considerando o setor que acontece os acidentes, horários dos eventos, idade das pessoas acidentadas, parte do corpo atingida e causas dos acidentes. Dessa forma, acompanhando esses indicadores, será possível definir melhor as ações para prevenção.

Após análise através da espinha de peixe, será possível identificar as reais causas dos acidentes e tomar as devidas providencias, aplicando um plano de ação, utilizando a ferramenta 5W2H.

 

O que é o 5W2H e como ele é utilizado?

 

Segundo Blauth (2006, p. 61-62): 5W2H “uma forma muito utilizada para estabelecer planos de ação. É uma relação padronizada de perguntas a serem respondidas por quem está elaborando o plano de ação”. Nada mais é do que uma ferramenta para orientar a execução de atividades.

Para exemplificar o uso dessa ferramenta na segurança do trabalho, vamos aplicar a mesma em uma ação de segurança na empresa.

Exemplo: Plano de ação para diminuir o Elevado número de acidentes com corpo estranho nos olhos conforme vimos no item 2.2.

Para montar o plano de ação, vamos considerar que as causas levantadas dos acidentes com corpos estranhos na metalúrgica são:

Máquinas: Máquinas sem proteções nas partes emissoras de corpos estranhos

Mão de obra: Falta de treinamentos dos funcionários

Método: Falta de procedimentos para execução dos trabalhos

QUADRO I – PLANO DE AÇÃO

Sandro Sabino

FONTE: Sandro Sabino

 

Folhas de verificação

 

Segundo Blauth (2006, p. 73-74): “Folha de verificação é um formulário utilizado para facilitar e organizar a coleta e registros de dados”.

Na área de segurança o formulário é muito útil em auditorias de segurança e inspeções. Devido a grande quantidade de informações que é verificado em auditorias e inspeções, a folha de verificação facilitará na busca de evidencias de conformidades e não conformidades.

Veja parte de um modelo de folha de verificação utilizado em auditorias/inspeções de segurança:

QUADRO II – Verificação de itens de segurança de empilhadeira

A lista de verificação poderá ser ampliada ou adaptada de acordo com o que se quer avaliar e ainda ser criada outras listas de verificação para NRs e/ou outras situações que devem passar por auditorias/inspeções. 

 

 

FLUXOGRAMAS

 

Segundo Blauth (2006, p. 65) “fluxograma é uma representação gráfica visual por meio de um conjunto de figuras esquemáticas padronizadas que representam as partes de um processo – atividades, pontos de medição e pontos de decisão – em sequência cronológica de realização”.

FIGURA 02 – Fluxograma Identificação de riscos, aspectos e impactos ambientais

Através da representação gráfica apresentada na figura 2, é possível compreender o processo de identificação de riscos, aspectos e impactos ambientais ou documentos entre os elementos que participam no processo em causa.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Vimos neste artigo apenas algumas ferramentas da qualidade que podem ser aplicadas a segurança no trabalho, visando à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. No entanto, outras ferramentas e/ou instrumentos podem ser utilizadas em conjunto com as ferramentas apresentadas.

Importante ressaltar, que não basta ter as ferramentas disponíveis para utilizar, é necessário que os profissionais envolvidos na aplicação das ferramentas, tenham conhecimento e habilidade para melhor utilização desses instrumentos.

Geralmente essas ferramentas estão disponíveis na maioria das empresas que dispõe de um sistema de gestão de qualidade, e muitas dessas ferramentas, acabam sendo utilizadas somente para as questões de qualidade e produção, devendo ser exploradas pelos profissionais de segurança na prevenção de acidentes, controle de perdas e na prevenção de sinistros.

Essas ferramentas, quando bem utilizadas, podem possibilitar uma melhor gestão das questões de saúde e segurança; colaborar com a padronização de ferramentas para execução de atividades de saúde e segurança; ajudar as empresas a diminuir os índices de trabalhadores com doenças relacionadas ao trabalho e acidentes do trabalho, Melhorando os processos e serviços prestados pela segurança no trabalho.

 

 

REFERÊNCIAS

  

BLAUTH, Regis. Gestão da Qualidade. Curitiba: UESDE Brasil S.A, 2006.

CONDOMINIAL.  Disponível em: <http://condominial.blogspot.com.br/2012/05/gestor-condominial.html>.

EBAH. Mapeamento e Padronização de Processos. Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAs9UAA/ferramentas-qualidade-resumo.

SOUZA, Felipe Pires de. Engenharia da Qualidade. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2010.

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